Na hora de assumir um financiamento imobiliário, muitos brasileiros se preocupam com o provável ciclo de elevação da taxa básica de juro.
"Sempre ouvimos a pergunta: mas, com a Selic subindo, meu financiamento não vai ficar mais caro? Os juros não vão encarecer o imóvel que estou comprando? A resposta é não. Os financiamentos imobiliários não são corrigidos pela taxa Selic, portanto, não há motivos para preocupações", afirmou o economista do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Celso Petrucci.
O presidente da entidade, João Crestana, completou: "As taxas de juros utilizadas no financiamento imobiliário ou são aquelas decorrentes do FGTS ou a da poupança. E a Selic influencia muito remotamente a taxa de poupança, portanto, a taxa do Banco Central não tem impacto relevante neste parcelamento. Esse sistema foi concebido justamente para que essas possíveis elevações não afetem o comprador de imóveis e o que temos hoje são juros muito razoáveis para quem vai comprar uma casa".
Recursos da poupança
Crestana disse ainda que o provável movimento de saída dos investidores da poupança - comum com a alta da Selic, já que outros investimentos de renda fixa passam a oferecer melhor rendimento -, não preocupa o setor.
"É fato que a poupança é uma fonte de recursos muito importante para o financiamento imobiliário. Eu diria inclusive que chegamos a esse bom momento nas vendas e nas facilidades de pagamento graça a ela. Porém, ela não pode ser considerada a única fonte. Eu diria que, de agora em diante, as fontes serão outras: os fundos de previdência social, as seguradoras e também os recursos que vêm de fundos estrangeiros. Há muitos aplicadores no exterior que hoje enxergam o Brasil como um bom lugar de investimento. A poupança continuará forte, mas não será mais a única", afirma.
Dados nacionais sobre o financiamento de imóveis com recursos da poupança indicam a concessão de 76.539 contratos de crédito habitacional nos três primeiros meses deste ano, o correspondente a quase R$ 10 bilhões. Para a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), essa modalidade deve encerrar o ano com R$ 45 bilhões.
Fonte: InfoMoney |